Ontem passeando pela Saraiva vi a revista Vida Simples ( http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/053/01.shtml) do mês e a reportagem de capa chamou mt a minha atenção: dizer adeus... Quer coisa mais relacionada com A Morte?
Seguem então alguns trechos da reportagem que me chamaram muito a atenção.
"Despedir-se de algo que não faz mais sentido e abrir-se para os desafios e as oportunidades de um novo ciclo é parte natural da vida. Então por que será que é tão difícil dizer adeus? ".
"Dia desses, assisti a uma mostra de curtas e médias-metragens do diretor norte-americano Jay Rosenblatt, que antes de ser cineasta trabalhou como psicólogo. Rosenblatt propõe interpretações muito particulares para a realidade em seus documentários. Um deles, em especial, me chamou a atenção: Membro Fantasma, uma reflexão poética sobre a dor e o aprendizado do “adeus”. Numa de suas passagens mais marcantes, um homem tosa uma ovelha enquanto uma voz narra as diferentes fases do luto. Indagado sobre as razões de ter escolhido essa cena para ilustrar a perda, Rosenblatt respondeu: “Queria uma metáfora que também significasse renovação. Uma imagem que sintetizasse, ao mesmo tempo, vulnerabilidade e entrega”. A ovelha perde aquela cobertura de lã; mas, ao longo de sua existência, outras crescerão e serão tosadas. Um ciclo natural, portanto".
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"E como identificar esse instante de revelação? “É um forte chamado interior, como se uma parte bastante profunda de você – a alma e não o ego – o conduzisse para um rumo um tanto indefinido. Mas, aos poucos, aquele caminho vai fazendo sentido”, afirma a psicóloga junguiana Regina Nanô, de São Paulo. “Hoje a razão virou o único ponto de apoio para as pessoas. Mas a intuição é que nos guia, por isso devemos levar em conta o que diz nosso coração.” Uma amiga tem um reflexão muito bonita a respeito. Ela costuma falar que “o ego grita, a alma sussurra”. Como vivemos num mundo ruidoso, tomado por mandamentos vindos de todos os lados (da cultura, da moda, da publicidade), só escutamos os berros – os do ego, querendo manter o controle a todo custo, e os dos outros. Os apelos da alma, aqueles que injetam vitalidade na existência, ficam inaudíveis".
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" Negar a própria “bem-aventurança”, como dizia o mitólogo norte-americano Joseph Campbell, ou tornarse surdo diante dos apelos da alma pode trazer conseqüências até para o organismo. “Os conflitos internos vão aumentando, a pessoa é tomada pelo desânimo, depressão e cansaço, a energia pára de fluir – e isso explode num sintoma físico”, diz a psicóloga Regina Nanô. Irritabilidade excessiva, gastrite, constipação, enxaquecas ou infecções freqüentes... É preciso prestar atenção tanto no corpo quanto no coração: será que não estão dizendo à razão que é hora de recomeçar?".
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"Os especialistas em luto, inclusive, aconselham externalizar esse adeus, dizer com todas as letras para si mesmo o que se deseja largar e soltar. Algumas pessoas precisam verbalizar o que querem da vida para ganhar força para tomar uma decisão. Outra recomendação é reservar uma parte do dia para viver a dor da perda. Nesse momento, que pode ser antes de dormir ou num fim de tarde, por exemplo, se pode chorar, ir ao fundo do poço. Durante o restante do dia, porém, o mais aconselhável é viver o presente, sem se deixar carregar pelo sofrimento".
“O adeus acontece desde o instante em que resolvo mudar ou inicio a mudança. Até o momento da ruptura, elaboro o que ganho e o que perco e faço gradativamente as despedidas”, afirma a psicóloga Ingrid Esslinger, do Laboratório de Estudos da Morte da USP. O luto continua, mesmo depois da decisão concretizada. “Por isso, é comum que a pessoa se pegue, tempos mais tarde, chorando de saudade ou questionando se aquela opção foi a melhor".
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“O dharma não muda. A necessidade de mudança e de dizer adeus a pessoas e situações indica o quanto estamos nos afastando ou nos aproximando dele”, diz Carlos Eduardo Barbosa, estudioso da Índia e professor de sânscrito em São Paulo. Assim, quanto mais sintonia houver entre seu cotidiano e seu dharma, menos despedidas existirão. “Uma pessoa que age em coerência com seu chamado interior não precisa dizer adeus”, diz. Ela já vive a própria escolha, sempre. “A vida dá umas puxadinhas aqui e ali para que voltemos ao nosso caminho.”