Blog EntryFesta do Fogo Novo - o mito de HefestosAug 2, '07 2:03 PM
for everyone

Com a proximidade da festa, coloco o mito do homenageado =)

 

"Eram freqüentes e violentas as disputas no Olímpo; mas, naquele dia, quando os deuses se sentaram à mesa, surgiu uma querela muito mais forte que as de hábito. Desde o seu nascimento, Hefesto, o filho de Zeus e de Hera, servia a bebida à  assembléia divina durante as refeições. Deus franzino e disforme, ele provocava riso quando caminhava com suas pernas finas, o corpo encurvado e desproporcionado em relação ao rosto forte. Os outros deuses costumavam caçoar gentilmente dele, mas, naquele dia, Hera, de mau humor, aproveitou a entrada do filho para atacar Zeus e censurá-lo por ter gerado um filho doente. A disputa logo se exacerbou e Zeus, furioso, deu uma fantástica surra em Hera para fazê-la calar-se. Os deuses não se manifestaram, exceto Hefesto, que, para defender a mãe, jogou na cabeça do rei do Olímpo a sua ânfora repleta de néctar. O silêncio então se abateu sobre a assembléia. Surpreso com tanta audácia, Zeus não reagiu de imediato; depois pegou o filho pelo pé girou-o em torno da cabeça e precipitou-o do alto do Olímpo.

A queda de Hefesto durou um dia e uma noite. Ele acabou por cair no mar, nas proximidades de uma ilha verde. As naiades logo preveniram Tétis, que repousava em sua gruta. A boa deusa marinha decidiu recolher o pequeno e fraco deus e ensinar-lhe a arte dos metais. Ela o levou a uma forja onde Hefesto encontrou a sua disposição os sete metais dos sete planetas e inúmeras pedras preciosas, cada uma mais bela que a outra. O deus começou a trabalhar e , ao final de nove anos, tornou-se um mestre hábil e fazia maravilhas. Ele não guardava uma ní­tida memória da sua vida anterior , pois o rio que passava diante da gruta em que se encontrava a forja carregava consigo as lembranças . Mas Hefesto, que antes era sempre alegre, mudara, tornando-se resmungão e irritadiço. Um dia, zangou-se com a obra que realizava: um touro para Minos. Ele nunca conseguia dar-lhe a forma desejada. Com o martelo, tomado de cólera, estilhaçou um rubi em mil pedaços diante de Tétis. Depois envergonhado do gesto, recolheu as menores partículas da pedra e fez com ela um broche esplêndido que prendeu na túnica da nereida Tétis.

Ora, logo depois Tétis foi obrigada a encontrar Hera, que, pasma de admiração diante da jóia, perguntou-lhe quem a fizera. Tétis acabou por confessar que fora Hefesto. A partir daí, Hera fixou-se na idéia de restituir ao Olímpo aquele filho que ela subestimara, aquele notável ferreiro. Isso não foi fácil, pois Hefesto, ao afastar-se da gruta e do seu rio, recuperava a memória, não sendo das mais agradáveis a lembrança que Hera nele deixara; a mãe não o tinha defendido diante de Zeus. Contudo, cedeu ao seu capricho. Antes de deixá-lo, Tétis entregou-lhe uma corda brilhante e fina, que se enrolou em torno dos seus rins. Era um sí­mbolo da sua condição de mágico.

Hera mandou construir no Olímpo uma imensa forja, dotada de vinte foles funcionando sem parar. Logo para atender aos pedidos dos deuses, de objetos soberbos e delicados, Hefesto não parou mais de trabalhar. Mas, trabalhando na forja, ele ruminava sua cólera e chegou a recriminar a mãe por não amá-lo com ternura. Esta foi anunciar-lhe que ele desposaria Cá¡ris ( a graça) e enfureceu-se ao ouvir suas críticas. Hefesto desatou então a corda dos rins, prendeu a mãe em seu trono e voltou a trabalhar.

Ouvindo os gritos de Hera, os deuses acorreram, mas nenhum foi capaz de desatar os nós mágicos. Precisaram suplicar ao ferreiro que, mais calmo, restituiu com um gesto a liberdade à  mãe. A corda voltou a se enrolar em torno dos seus rins. Fora de si, Hera, por sua vez, jogou o filho do alto do Olímpo. Houve uma nova queda de um dia e uma noite, mas, desta vez, Hefesto esborrachou-se de encontro a uma ilha, Lemnos. Embora imortal, quebrara as pernas. Os habitantes da ilha cuidaram dele com devotamento, mas suas pernas ficaram tortas e ele passou a mancar. Deus generoso cumulou de presentes os habitantes de Lemnos. Cá¡ris foi encontra-se com ele na ilha e celebrou-se o casamento. O deus permaneceu na ilha e construiu ali uma forja , e um dia Tétis foi pedir-lhe que forjasse a armadura de seu filho, Aquiles, que deu origem a uma esplêndida descrição na Ilíada. Mais tarde, Zeus ordenará a Hefesto que despose Afrodite; ele deixara Cá¡ris e Lemnos para retornar ao Olímpo e nele encontrar uma esposa não muito fiel".

Eu sinto que o momento dessa festa é a preparação para a Primavera. Que se as nossas forjas se renovem para que possamos realizar lindas manifestações com nosso Fogo Interno =)


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