Definitivamente não dá mais pra achar que o ser humano é uma ilha. Eu observo muito o comportamento dos pequenos e vejo como as pessoas se buscam desde muito cedo e nesse buscar recebem os braços conhecidos com tanta vontade.
O contato. O cheiro. A pele. A vida humana começa assim... ou pelo menos deveria. Infelizmente sabemos de muitas formas de abandono que acontecem e acabam por deixar sequelas imensas, porque nenhum ser humano é uma ilha.
Quando crescemos vamos passando por fases e essas fases se encerram no que chamamos de tribos, ou de grupos... e cada um com a sua característica. Na adolescência, no desespero de ser alguém, acabamos por nos diluir em um grupo que ouve a mesma música (1000 vezes) e que usa as mesmas coisas e valoriza os mesmos princípios.
Então quando crescemos e vamos amadurecendo, vamos buscar vários braços, vários toques... da família, do ser amado, dos amigos...
Os amigos... como são importantes em nossas vidas e como não tê-los, como não se identificar com outro faz falta. Eu era assim... eu não tinha amigos... ou tinha pessoas, que não bem eram amigos. E cheguei a dizer que tudo bem. Mas não é nada bem.
Como nenhum ser humano é uma ilha, vamos aos poucos nos associando àqueles que parecem ter alguma coisa em comum com a gente. E isso pode vir de hobbies ou interesses gerais, pode vir de escola, trabalho... esses últimos ainda com direito de não gostarmos muito de uns ou outros que circundam o círculo. Essas são as alianças de corpo, de carne... Elas nos preenchem e nos divertem... nos deixam espaço para "analisar o comportamento humano" (hehe) e para uma ou outra coisa de Dioniso.
Mas... existe a outra associação. A do espírito. Tem horas que a gente mal e mal escolhe... tem os momentos que elas simplesmente caem em nossos colos como coisas que não temos certeza do que são. E por mais que as busquemos, só vemos o espírito, a união deles, quando passamos dos véus e das atitudes da carne... do olhar e julgar... do torcer narizes, do opinar em como o outro deve viver.
Acho que a união dos espíritos tem aconselhamento, mas antes de tudo, tem a compreensão. A compreensão de que nem sempre o outro pode compreender. A compreensão de que existem momentos nos quais nos entregamos.
Quando quem chamamos de amigos passam pelo vínculo do espírito, pode ser que ele nem tenha o tempo longo das necessidades físicas... mas existe... onde o espírito existe. E as pessoas se sentem... se protegem e se completam com as palavras e com as atitudes que precisamos.
O estudo superior sempre une. E quanto mais une, menos narizes se torcem... e mais e mais nos compreendemos. E nos sentimos seguros para estender a mão e dizer: "eu te compreendo"...
