Eu fiquei com isso tudo na cabeça por conta de um podcast que estou ouvindo. Um sujeito lá no Canadá resolveu fazer um programa de rádio pensando o paganismo. Claro que muitas coisas dizem respeito a coisas de sua comunidade e ao mundo que fala inglês, assim fica um tanto mais difícil ter acesso a livros, etc e tal, mas a proposta é muito boa. E, no podcast do mês, ele fez uma entrevista com o professor Brendan Myers. Ele é doutor e pesquisador de diversas questões sociais e muito interessado na questão pagã de ser e de viver.
Recentemente, ele escreveu um livro chamado The Other Side of Virtue, que nos ajuda a pensar na virtude como era vista e entendida pelos povos antigos, o que vai muito além do que pretendem ensinar para as pessoas nas escolas dominicais. Aliás, para conhecer mais do trabalho dele, acesse www.wildideas.net/cathbad . Nesse site se encontram muitos textos interessantes deles... provavelmente alguns que traduzirei em breve!
Nesse podcast exatamente, Dr. Brendan Myers fala da virtude heróica e como esses valores eram importantes nas sociedades pagãs. E me fez pensar. Pensar muito... em honra, amizade e sentido de comunidade.
Myers fala sobre como as virtudes da antiguidade estavam ligadas àquilo que dava vontade e alegria de viver... a honra, o bom nome, a família e a terra. E a comemoração de todas essas coisas. Não estavam ligadas à humildade ou ao recato, mas ao que faz a roda girar. Mas para ser entendido como um portador dessas virtudes, é necessário ter o reconhecimento de seu grupo. Assim, nada acontecia ou tinha respaldo sem a família, os amigos e mesmo a terra a qual se pertence.
Ter honra é ser o de bom nome. E nisso estavam os amigos para endossar aquilo que vc é.
Acredito piamente que é sempre o seu grupo que te legitima. Não por precisarmos necessariamente do que os outros pensam, mas pelo bem estar da comunidade, da relação saudável entre as pessoas. Do pertencer.
Eu vejo o Neo-Paganismo sim como uma espiritualidade de muito individualismo, pois acreditamos que cada um tem direito ao entendimento do divino e ao viver as suas próprias experiências. Porém, com o grupo, com a família, com o clã, vivemos juntos e lutamos juntos pelo nosso viver. Afinal, o que sãos os rituais ao Sol, à Lua, à Terra, aos Deuses senão uma tentativa de manter a terra fértil para que todos possamos viver? O que é a vida em sociedade senão ajudas mútuas?
Bem viver com o amigo, com o companheiro, com o irmão assegura a nossa sobrevivência. Acredito que virtude é o apoio do exército espartano entre seus membros.
Há algum tempo, eu tinha pensado no termo AMIGO MEDIEVAL. O que não se vê sempre, mas é sempre alegre o encontro, mesmo que seja em situações adversas, pois o amigo está lá por vc... algumas vezes por sua saúde, outras por sua honra, outras pelo seu sentimento... outras por um gostoso estar. Acho que isso tudo é o Amigo Virtuoso, e graças ao Brilhante Apollo, eu estou cercada deles! E isso é tão Ano de Marte!