Blog EntryCalendários, Rodas e ChuvaOct 21, '05 7:08 AM
for everyone

Passou setembro, estamos em outubro e novembro se avizinha. Estamos na Primavera tropical e já vi algumas flores, mas o que eu tenho visto mesmo é chuva! O que me leva a pensar exatamente nessa coisa toda de Roda do Ano e coisas assim...

Eu entendo que não podemos como eu já li em um outro texto, "gambiarrar" a Roda do Ano ou qualquer calendário (embora vivamos hoje num calendário gambiarrado, o gregoriano), mas podemos pensar que o calendário é um contrato que fizemos com as nossas crenças. Por isso, acho muito complicado engessá-lo.

Eu andei pela web (1) e encontrei coisas muito interessantes para pensar o calendário, ou a famosa Roda do Ano ou Roda Óctupla. Fiz isso porque acredito que não precisamos nos prender a padrões ou paradigmas, a não ser que tenhamos feito certo contrato. OU seja, que tenhamos concordado em aceitar um determinado calendário por convenção social (o gregoriano que rege nosso ano "comercial") ou por fé e vontade (caso da Roda do Ano wiccana).

Então, vamos lá. O que é um calendário e o que ele representa?

Um calendário é um sistema de medida para longos períodos de tempo. Podemos pensar que também se trata de um conjunto de marcas para um determinado grupo desempenhar uma determinada prática. Praticamente todos os sistemas de calendário utilizam uma unidade coloquialmente chamada de "ano" que se aproxima do ano tropical da Terra (ou seja, o tempo que leva um completo ciclo de estações) para facilitar o planejamento de atividades agrícolas - que, se prestarmos atenção, é exatamente o que acontece com a Roda do Ano.

Para pensar no calendário em termos históricos ocidentais, ou seja, um por que do qual estamos aqui hoje fazendo o que fazemos é preciso voltar à Roma. O calendário juliano baseado em anos foi adotado. Ele numera os dias dentro dos meses, que são mais longos que o ciclo lunar, por isso não é conveniente para seguir as fases da Lua, mas faz um trabalho melhor seguindo as estações. Para melhorar essas observações, nasceu o calendário gregoriano. A sua inovação foi o uso do sistema de ano bissexto para que se adeque melhor ás estações do ano, pois faltavam dias para tal no sistema anterior. Para nós, bruxas, pagãos e afins, esse calendário nos dificulta a observação da Lua, pois seu movimento não foi levado em consideração. Portanto, precisamos também para nossa prática, de um calendário lunar.

Quanto às observações das estações, precisamos estar muito atentos não somente às datas, mas às regiões geográficas. Pensar em Verão na Europa é muito diferente de pensar em Verão no Brasil ou na Austrália. Nesses casos, eu penso que se prender às datas pode gerar muita confusão, o que pode ser resolvido por dois conceitos, como dito anteriormente: ou por convenção (mesmo religiosa: Roda do Sul ou do Norte) ou por fé e observação pessoal.

Ainda assim, nós pagãos não somos os únicos a enfrentar essas diferenças, embora algumas das diferenças estejam dentro do próprio Paganismo. Os calendários em uso na Terra são freqüentemente lunares, solares, luni-solares ou arbitrários.

Um calendário lunar é sincronizado com o movimento da Lua; um exemplo disso é o calendário islâmico. Um calendário solar é sincronizado com o movimento do Sol; um exemplo é o calendário persa. Um calendário luni-solar é sincronizado com ambos os movimentos do Sol e da Lua; um exemplo é o calendário hebraico. Um calendário arbitrário não é sincronizado nem com o Sol nem com a Lua. Um exemplo disso é o calendário juliano usado por astrônomos. Há alguns calendários que parecem ser sincronizados com o movimento de Vênus, como o calendário egípcio; a sincronização com Vênus parece ocorrer principalmente em civilizações próximas ao equador - ou seja, bem o nosso caso... Não seria esse um estudo de caso para os praticantes do Brasil?

Finalmente, podemos pensar no que se chama " calendário pragmático", que é baseado na observação.E é ai que eu entro. Minhas práticas são centradas em antigas práticas do paganismo ítalo, que é bastante diverso, e em momentos de significado e observação.

Eu me decidi por um calendário próprio pelo simples fato de não estar presa a convencionalidades: não faço parte de uma religião organizada, como a Wicca ou o Asatru, por exemplo. Eu comemoro, anualmente e dentro do calendário gregoriano pela sua relevância nas minhas plantações e colheitas, datas com as quais me identifico e enxergo o significado. Alguns exemplos de datas importantes são:
- O início das Estações do ano: que eu vejo como duas, uma de chuva (setembro a março) e de secas (março a setembro); de equinócio a equinócio;
- dia de finados, pela proximidade das datas de morte dos meus avôs e pela força que esse dia tem: como egrégora e por uma tremenda constelação de Escorpião no céu;
- meu aniversário, pelo ingresso no plano físico;
- 25 de maio, pelo Dia de Santa Sarah;
- todas as luas cheias!


O que eu quero dizer com esse texto não é que eu esteja revoltada com as convencionalidades ou que eu não concorde com os wiccanos ou os aridianos que seguem a roda proposta por Grimassi. Estou dizendo que uma vez que não temos um contrato, precisamos fazer como nossos ancestrais que sabiam quando era o momento de semear e colher em suas terras, qual o melhor momento e forma de estoque de alimentos, tempo para casamento ou que ervas cresciam em determinada época do ano para curar uma enfermidade. Olhar não só para o céu, mas para o chão e para nossas casas. Quantas outras datas diferentes não podem ser dadas mesmo às Rodas "institucionalizadas"?

Não é fácil estabelecer marcas, pois elas têm relação com crenças e que também vale pensar, não são perenes.

Esse é um convite à reflexão da prática... O que vocês acham?

Pietra
dichiaroluna@yahoo.com


(1) Muitos dados foram coletados em www.wikipedia.org

 

O original está em www.tribosdegaia.com.br

Eu gostei tanto desse texto - narcisista! - que eu tinha de colocá-lo aqui tb!



maninthebox wrote on Oct 21, '05
Eu considero o calendário atual, que foi baseado pela fé cristã, um dos maiores engôdos de todos os tempos. Já que foi feito de maneira a massacrar a fé pagã, disfarçando os dias de festas comemorativas pagãs como "dias santos". Só o adoto mesmo pela convencionalidade comercial, já que quase toda a sociedade atual utiliza desse sistema.
Beijuzzz =]
dichiaroluna wrote on Oct 21, '05
já que quase toda a sociedade atual utiliza desse sistema.
Não tem jeito... ele jah faz parte de nosso sistema...
maninthebox wrote on Oct 21, '05
Não tem jeito... ele jah faz parte de nosso sistema...
Pelo menos quanto ao perfil comercial e social-estereotipado. Mas fora isso, podemos nos utilizar dos diferentes calendários já existentes ou criando um próprio. Você mesma deu o exemplo usando um calendário próprio. Quando o que conta é a fé, o importante é valorizar aquilo em que realmente se acredita, e deixar de lado os valores coletivos, impostos pela sociedade "moderna".
Beijuzzz Beijuzzz, mocinha! =D
tgodinho wrote on Nov 6, '05
Eu concordo totalmente com você.. O mais importante, além de você saber o que está fazendo, é sentir o que está fazendo.
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