Uma das coisas que rezo à Lua Cheia é que nos coloque em seu manto prateado e que nele, possamos nos proteger. Que a sua luz cegue os inimigos.
Lendo as Núpcias de Cadmo e Harmonia me deparo com uma idéia que segue paralela. Fala de como os gregos utilizavam a Luz e a Iluminação para incobrir suas evidências.
"(...) E como fez o reitor para ocultar a figura que usava? É claro que escondeu com a própria luz'. Encobrir com a luz: pecurliariaridade grega. Zeus o fazia sempre. E por isso a luz ulterior à grega é de outra espécie e muito menos intensa. Ela quer desentocar o oculto. Já a luz grega protege o encoberto. Deixa que se mostre como tal inclusive na evidência diurna. Mais ainda, consegue até ocultar a evidência, negra para a luz, como a figura retórica se torna irreconhecível quando o fulgor invade e é submersa por uma grandeza que se difunde por todas as partes". (pg 196)
Ser filha do Sol tem um pouco disso. Ás vezes as coisas são tão claras, tão claras que não são evidentes e só quando acostumamos nossos olhos à luz e à claridade, passamos a enxergá-las. A luz toma as partes e não podemos mais diferenciá-las. Penso que é um exercício interessante treinar a percepção para olhar dentro da luz.
Não nego a importância das trevas, inclusive tenho um mote que fala da proteção das trevas, do que não se traduz em palavras... Acho que nossos segredos são das trevas, são escondidos dos olhos alheios, porque não são para o público.
Já o que se encobre com a luz é para ser visto, um dia, para quem puder. Sinto que isso é iluminar-se... é poder olhar o que é tão claro e verdadeiro que nossos olhos corruptos não vêem.
Como é engraçado cultuar a figura solar e sair à rua sempre de óculos escuros porque a luz machuca os olhos. Paradoxo? Não acho... complementos... pois existem os dias nos quais o Sol se deixa ser olhado sem aparatos.